segunda-feira, 13 de abril de 2009

A Cafetina das palavras


" Sou uma gigolô das palavras.Vivo às suas custas.E tenho com elas a exemplar conduta de uma cafetina profissional. Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão.Não raro, peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro.Maltrato-as, sem dúvida.E jamais me deixo dominar por elas.Não me meto na sua vida particular. Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que os outros ja fizeram com elas.As palavras, afinal, vivem na boca do povo. São faladíssimas. Algumas são de baixíssimo calão. Não merecem o mínimo respeito.
Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou com a formalidade de um marido. A palavra seria sua patroa!Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção de lexicógrafos, etimologistas e colegas.
Acabaria impotente, incapaz de uma conjução.A Gramática precisa apanhar todos os dias para saber quem é que manda. "

5 comentários:

  1. Uau, que foda! o________O Fiquei de boca aberta.

    Amei essa passagem:
    "Não me meto na sua vida particular. Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que os outros ja fizeram com elas."

    Gostei muito.

    Bom inicio de semana, amiga :3

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  2. San - Hum... not bad not bad all...Hey Vee voltei! das férias.

    Ps.: Pode devolver minhas correntes?!
    ;*

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  3. Adorei, o problema é que mexe com duas coisas com as quais eu preciso tomar muito cuidado: putas e gramática.

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